Noite do desespero.

27nov09

Tudo corria normal na quarta-feira, 18 de julho de 2007. Era prática comum minha ir trabalhar no IBGE, no prédio da SUDENE, de bicicleta, que deixava guardada na rua da Aurora. Meu horário de largada era às 17h.
Naquela semana, eu estava terminando os últimos preparativos para inauguração da “Macaxeira pesada”, que foi um negócio que mantive por 9 meses a partir de setembro, que foi quando me recuperei do acidente que vim a sofrer nesse dia 18.
Meu trajeto até o centro durava cerca de 30 min da SUDENE, mas nesse dia, me atrasei por conta dum material que peguei na casa de um amigo no caminho. Eu estava apressado, pois precisava encontrar algumas lojas abertas para compra de materiais para a Macaxeira pesada. Minha intenção era a inauguração na quinta ou na sexta.
Naquele ano, a avenida Conde da Boa Vista estava em reforma e era comum muita poeira e areia no asfalto. Vinha na correria de sempre para resolver tudo o mais rápido possível, pois estava cansado já da semana de trabalho e também do trajeto até o centro e queria terminar o que tinha a fazer para comer algo e descansar, pois ainda tinha a intençãode ir ao estádio para assistir ao jogo do Náutico x Cruzeiro.
Saindo da praça do Derby para a Conde, temos uma pequena descida, como era costume meu, acelerei bastante para me livrar do primeiro sinal, com a Dom Bosco, que tinha ficado amarelo e aproveitar a “banguela”. Passando o posto BR, comecei a pedalar num ritmo menos acelerado, para manter a velocidade. Desta forma continuei meu trajeto de forma distraída e a planejar e calcular os afazeres que havia. Quando vou me aproximando do sinal seguinte, com a Gonçalves Maia, ouço um carro a buzinar. Olho para trás e vinha um carro preto dando seta para a direita, para entrar na Gonçalves Maia, em direção ao consulado estadunidense. Bom, não dei muita importância, pois eu já estava muito próximo do sinal e no movimento natural do trânsito, como frear para fazer uma curva, faria com que eu passasse ileso.
Mas, para a minha total surpresa, de forma espantosa a pessoa que vinha dirigindo o carro preto, não hesitou em acelerar e fez a curva para entrar na rua, mesmo havendo um ciclista na esquina. De repente, vejo o carro preto à minha esquerda e faz a curva. Seu retrovisor direito bate em meu guidão, do lado esquerdo, sinto a porta do carro encostar em minha perna esquerda. Com o toque no guidão, combinado com a velocidade, acabo por cair para a direita e com um movimento natural, coloco a mão para aparar a queda e meu corpo acaba por girar no asfalto cheio de areia e por cima da bicicleta. Imediatamente ergo a cabeça para ver se a pessoa para o veículo para prestar socorro. Só não foi em vão por que deu para ver a placa do Fiesta. Tento me levantar e sair da rua, mas meu punho direito estava muito inchado e dolorido e sentia dores na perna e no ombro. Transeuntes e um frentista, pois o acidente foi em frente ao posto Shell, me ajudam a levantar e saio da rua para a calçada. Bebo água e ligo para o SAMU para pedir socorro médico. Ouço a resposta que o SAMU é apenas para casos de vida ou morte. Como não era o caso e eu mesmo estava falando ao telefone com a atendente, ela acaba por dizer para eu me virar e desliga o telefone na minha cara.
Como meu punho estava cada vez mais inchado e doendo mais e o HR era relativamente próximo, resolvi ir andando. Seguerei com a mão esquerda o pulso direito e fui no instinto. Não foi uma decisão muito acertada, mas foi o melhor que consegui pensar naquela hora, pois não estava com dinheiro no bolso para pegar um táxi. Foi um dos grandes tormentos da minha vida. A cada passo sentia latejar de dor o meu pulso, e comecei a andar mais rápido para logo chegar. Quando cheguei em frente ao Contato, soltei um berro de dor.
Chegando até o HR, não fui atendido, pois os médicos estavam em greve e a moça da recepção disse-me que não havia médico algum para me atender e que eu aguardasse. Questionei a ela como eu poderia aguardar com o pulso daquele jeito. Nessa hora me assustei, pois, durante todo o trajeto não havia mais reparado na situação do meu pulso e vi que estava tão inchado, que já era mais largo do que a parte mais larga do meu antebraço e havia surgido dois carouços imensos. Fato que me deixou apavorado.
Saí e fui até o hospital particular que tem ao lado, mas custava somente a consulta R$ 300,00 o que estava fora de minha realidade financeira. Atravessei a avenida e fui em direção ao Parque Amorim, onde tem a clínica de fraturas, nesse tempo, resolvi ligar para uma amiga que morava perto para me socorrer. Até sua chegada fui até a clínica e apenas a consulta custava apenas R$ 350,00…
Fomos até a clínicas de acidentados no Espinheiro, onde a consulta custava R$ 120,00 ai então comecei o tratamento.
O acidente foi por volta das 17h e 45 min. Fui atendido por volta das 20h e 30min.
Na clínica, fui imediatamente atendido. Foi tirado um raio-x e constatada uma fratura. Para consertar, era necessário fazer uma redução e engessar. Essa é a melhor parte.
O médico aplica uma anestesia local e chama Valdo, um enfermeiro, e lhe diz para segurar meu braço. Segura firme meu antebraço e o médico me diz que vai puxar e que vai doer um pouco. Disse-me para quando doer eu avisar. Então ele puxa levemente minha mão e pergunta se dói. Digo-lhe que sim, mas que poderia puxar mais. À medida que ele ia puxando, ia doendo mais. Mas reparei que com a dor, sentia um certo alívio. Até que pela terceira vez ele aplica um pouco mais de força e pergunta se estava doendo. Vendo eu algumas estrelas gritei: PUXA, PUUXA! É aí que ele aplica toda a força. Fica vermelho e treme o braço de tanta força. Até que o punho dá um estalo, que é quando o médico, com um movimento rápido, levanta o pulso e depois abaixa e diz para o enfermeiro engessar. É isso mesmo. Com a munheca quebrada, mas o punho consertado e um gesso da mão até o suvaco. Porém, o punho ficou zero bala. ;]

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Samuel Vanderlei

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2 Responses to “Noite do desespero.”

  1. Samuel, não sei o motivo, mas recebi um email seu com o anúncio deste blog.

    de qualquer forma, fico feliz com a interação e aqui divulgo um site onde sinto que você pode compartilhar o interesse pelas letras assim como o fiz:

    http://imaginandoimagens.wordpress.com


  1. 1 Motoristas ou cavaleiros/amazonas? « Voz do Atlântico Sul

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